Por Luciano Martins Costa*
A Associação Internacional de Marketing de Jornais (INMA, na sigla em inglês) realiza seu seminário anual em São Paulo durante esta semana, sob o signo das plataformas digitais. Depois da divulgação, pelo New York Times, de seus resultados promissores na venda de conteúdo online, acelera-se a corrida por um modelo que assegure uma transição lucrativa entre as operações totalmente voltadas para o papel e o futuro da notícia em aparelhos eletrônicos portáteis.
Uma das previsões mais populares entre os executivos de jornais foi feita pelo futurologista australiano Ross Dawson, segundo o qual os jornais da América Latina ainda têm pouco mais de quinze anos para continuar explorando os veículos tradicionais.
O evento pega as grandes empresas brasileiras de comunicação num momento de mais otimismo. Com exceção da Editora Abril, que enfrenta o desafio de administrar sua alta complexidade diante do futuro incerto das revistas, a maioria dos conglomerados nacionais de imprensa ainda não se vê obrigada a migrar completamente para os novos meios eletrônicos, mesmo que essa seja uma imposição clara dos novos tempos.
Embora todos já tenham, de uma forma ou de outra, suas edições destinadas aos aparelhos móveis, a estrutura das redações e seu modo de funcionamento ainda obedecem à lógica do jornal impresso. Os estudiosos da Associação Internacional de Marketing de Jornais consideram que a imprensa dos países emergentes ainda têm quase uma década de bons ventos pela frente, em função do crescimento econômico e da agregação de novos leitores com a ascensão social dos mais pobres.
Isso já não acontece na Europa e nos Estados Unidos, mercados mais maduros onde a circulação de jornais impressos continua caindo, ao mesmo tempo em que a receita das edições digitais ainda não consegue suprir as necessidades dos negócios. Esse dilema tem sido superado, aparentemente, pelo New York Times, com um sistema híbrido no qual o leitor tem acesso a uma parte do conteúdo pelos meios eletrônicos mas precisa pagar uma assinatura para ler o material mais interessante.
O modelo do Times será o tema central do encontro de executivos, que ocorre nesta segunda, dia 21, e terça-feira, mas as análises que vêm sendo publicadas recentemente sobre o tema adiantam que atrair o leitor com brindes noticiosos para fazê-lo pagar pelo principal ainda não é a solução definitiva. O grande desafio da imprensa ainda é se apresentar ao leitor como uma decisão de compra relevante, que se renova diariamente em qualquer plataforma.
Buscamos, neste blog, apresentar os fatos mais interessantes, as descobertas mais inquietantes e as últimas novidades sobre tecnologia, as redes sociais, o jornalismo on-line, as empresas de comunicação e a potencialização da interatividade entre os webjornais e os usuários.
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terça-feira, 22 de novembro de 2011
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